Esta semana que estou em casa tenho evitado refletir

Todos dizem que eu penso demais, e que talvez isso seja um erro, algo da minha personalidade que não pretendo mudar, é algo que faz  com que eu seja única

Mais uma vez estou aprendendo a não ver erros como erros

Se quero o direito de ser exatamente como seu, porque os outros não teriam esse mesmo direito?

Porque tanto conflito?

Esse tema me veio a mente ao assistir escondida uma das séries do meu pai, chamada Swingtown

Obviamente o assunto me atraiu, mas a palavra hipócrita não deixa de pairar em minha mente

Meus pais, que sempre tentaram me afastar de todo “pecado”, drogas, sexo, uma vida livre… assistindo um seriado que propõe exatamente isso, uma maneira mais leve de enfrentar o que é natural na vida, os instintos, sem preconceitos…

E então o conflito começou, os mesmos adultos, que se divertiam sendo eles mesmos, repreenderam a filha mais velha por estar seguindo o próprio caminho, crescendo tanto intelectualmente quanto emocionalmente, e sexualmente…

Porque tanto medo?

Porque nos protegem tanto?

Não há nada, nada que nos afaste de nossos instintos, daquele impulso de sermos únicos, especiais

Porque as coisas não podem simplesmente seguir sua ordem natural?

Porque não podermos ser amigos antes de qualquer coisa?

O “ideal” de família feliz seria muito mais verdadeiro se nos respeitassemos mais, ao invés de seguirmos ou obrigarmos os outros a seguirem  passos que não são nossos

Não, não somos livres

Se não são os pais, é a sociedade, a religião, a moral…

Vivemos presos dentro de uma série de regras, cujo sentido eu compreendo, mais ainda não tenho maturidade suficiente para criar um estilo de vida que permita todos serem livres sem que machuquem uns aos outros

Sim, as leis existem para que não saiamos às ruas nus, nos estapeando porque essa era nossa vontade naquele momento

E a religião existe para nos afastar de questões que são difíceis demais para lidarmos enquanto humanos, para nos polpar das conseqüências de uma vida sem regras

Não sei mais no que acredito, nem qual a conseqüência disso

Nem por quanto tempo fugirei dos meus conflitos

Buscando um decanso mental que acredito nunca ser capaz de alcançar

Porque talvez o instinto humano nos obrigue a isso… sempre pensar no próximo passo…

Só consigo pensar que a busca por liberdade é um assunto recorrente em minha mente

Buscando sempre agradar a todos, e um pouquinho a mim mesmo

Sei que estou errada

Mas não sei como mudar, nem como me sustentar sozinha

Essa busca começou a muito tempo… e está longe de terminar

As vezes fico assim

Parada

Olhando as palavras

Tão familiares

Tão estranhas

Por mais que a sinta, sua aparência sempre muda

São lindas

Únicas

Como o pôr-do-Sol que assisti ontem da janela de meu quarto e que me faz amar cada vez mais o outono

Como a luz que bate agora em meu teclado, refletindo milhões de pequenas estrelas que eu nunca havia enxergado

Um mundo de surpresas

E nós presos em amarras masoquistas

O medo é algo aterrorizante

Tenho medo de quase tudo

Hoje meu medo é nunca estar em paz

Ter sempre este incomodo dentro do peito

Aquele sentimento de que coisas precisam ser mudadas, mas vc simplesmente não sabe o que fazer… ou tem medo

Medo do próximo passo

Medo desse passo piorar tudo

Medo de estar errado

Aconteceu algo que eu temia

Nesses dias não encontrei respostas, nem soluções, nem conheci olhar pra dentr de mim

Não me conheci, embora tente me amar com todas as forças

Eu não quero um começo, quero um agora que faça sentido

Mais tempo para respirar

Mais verde

Mais cheiro de incenso

Mais sensação de frio

Coração mais alegre

Ajudar os outros… ajudar de verdade… tocar lá dentro… proporcionar uma riqueza que não pode ser dimensionada em números

Não quero que a rotina se impregne em mim novamente

Não quero passar tempo demais no subsolo

Não quero voltar a fumar

Quero ser livre

Livre de mim mesma

Livre de preconceitos

Livre de qualquer medo

Talvez essa sempre tenha sido minha busca…

Rebelde muitas vezes… sim… faz sentido… talvez seja da minha personalidade… simplesmente não querer seguir coisas que não fazem sentido

Não quero que ninguém decida nada por mim… essa responsabilidade é minha

Mas quero uma luz, alguma certeza no meio desse turbilhão

Temos muitos porques pro cenário que hoje se apresenta… estou mais preocupada com as soluções… ser feliz… ser completa… completamente louca, feliz, inteira, clichê… feliz

can’t you see? could be one or maybe three
mr. confusion, make a move
mr. confusion, make a move
can’t you see? only truth will set you free
mr. confusion, make a move
mr. confusion, make a move

the love you want
will make your heart feel cold
you think you got it
but all you’ve got is a hole
inside your heart
the truth is there to be told
so try to stop
stop breaking hearts
stop hurting souls
it’ll hurt yourself

Mr. Confusion – Beeshop

Não sei bem como expor tudo o que tem acontecido comigo nas últimas semanas

Me vi 3 vezes olhando para o teto da sala de emergências do hospital, sufocada, aterrorisada, braço em chamas

Até os mais leigos diriam: coitadinha, infartou aos 25 anos… também, com aquele trabalho estressante e o vício por cigarros…

Mas não, eu não infartei…

E parti pra algo que disse que não faria nunca mais: fui ao psiquiatra

Não surpresa, o mesmo me diz que minha minhas palavras são como descrição de um livro, cujo título é: PÂNICO

Sim queridos, fui pega… após anos e anos engolindo stress e ansiedade… comendo compulsivamente para preencher um vazio que nem eu sei de onde vem

E mais uma vez sigo sem entender

Diferente de minhas patologias anteriores, não tenho lido a respeito… não quero sentir mais do que já sinto… só sei que é assim… como você não toma cuidado, seu corpo encontrou uma forma de dizer que não dá mais… chegou a hora de descansar, relaxar de verdade e repensar todas as coisas que vc tem deixado para um depois que nunca chega

Por enquanto a única coisa que ainda faço é ficar tensa 24 horas por dia, aguardando que qualquer sinal de dor no meu corpo me faça enlouquecer ou acreditar que estou morrendo, e me segurando para não cair de boca na caixa de calmante faixa preta que está no meu armário

O mecanismo mental que tenho utilizado quando percebo que algo me deixa ansiosa é o seguinte: preciso resolver isso agora? (em todas as vezes a resposta foi não) Então afasto o pensamento me focando no que estiver fazendo no momento ou pensando em uma linda noite de amor kakakakakakakakakaka

Tá, vou confessar, to cagando de medo de voltar a trabalhar e ver as 40 pessoas da minha sala me olhando como se fosse um ET, ou uma folgada que não aguenta um stressizinho e por isso ficou 2 semanas em casa… espero sinceramente que todos os antidepressivos façam efeito até lá e eu esteja louca (e surda) o suficiente para se importar somente com o meu bem estar e felicidade

Se bem que, se eu fosse uma dessas pessoas corajosas, ia direto no RH e nunca mais pisava naquele lugar

Sim, é muito fácil culpar algo pelo desastre total… e eu sei que é a minha reação às coisas como são que me trouxe à situação que tenho que enfrentar hoje, mas meus questionamentos quanto à escravidão em troca de nada são bem anteriores a toda essa bagunça

E sendo totalmente honesta, estava numa fase ótima da vida, super aplicada na dieta, na corrida e no sexo casual… ou seja, em ser o que eu sempre quis (kakakakakaka… não, não é ser uma prostituta).

O fato é que em 25 anos eu mal me conheço… e não me venham com essa de que por mais que vc se conheça sempre há mais a saber… eu sinto que não sei o básico, que simplesmente tenho passado pela vida, que sou uma pessoa sortuda indo de lugar nenhum pra nenhum lugar…

Não quero colocar ainda mais cobranças sobre mim, mas o ideal seria utilizar essa semana para refletir… não fugir como tenho feito até agora… sei lá… meditar… fazer yoga… desenhar… escrever… e ser sincera comigo mesma…

Sim, tem sido uma caminhada dificil… mas hoje pintei minhas unhas de rosa e passei cobertura matte, então estou particularmente feliz por agradar a mim mesma enquanto assistia a 6 horas de O Senhor dos Anéis… tentando eleger uma cena favorita e vibrando por vergonhosamente nunca ter percebido que a árvore que quero tatuar estava na armadura de Faramir durante todos esses anos

Ver Gandalf discursar bem na minha cara “Now you have to decide what to do with the time that was gived to you” é um tapa na cara… e dá tristeza ver a união deles, a beleza dos povos, e que eles tinham pelo que lutar… e eu.. eu não sei pelo que quero lutar

Tenho medo de ficar que nem moribunda, dopada de antidepressivos, e perder milhares de oportunidades de ser feliz… mas não tem como saber… e só pensar nisso já gera um grau de ansiedade que não necessito…

um dia quente
com cheiro de mato
uma estrada de barro
uma varanda
risos
cantar zezé di camargo

Bastaria por enquanto…rs

E tem sido assim

Entre tantas confusões e excitações finjo que nada há de errado

A vida a isso, e isso é normal

Mas fai muito tempo que parei de pensar no que devia e fiquei obsessiva por outras coisas

Eu não encaro de frente, apenas pego atalhos, sonhando que lá no fim a dor desapareça

E o buraco continua aqui

E aquele sentimento de inferioridade por causa da humilhação

Estou aprendendo a julgar menos

A criar minhas próprias verdades

E que não preciso ser forte o tempo todo

Me tocando e me entorpecendo em troca de um pouco de paz ou do fim da lucidez

Beirando o colapso

Convencida de que paciencia tem limite

De que eu não sou descartável

De que eu faço mais do que o suficiente pra que o destino faça sua parte

Eu não quero mendigar

Só quero ser perfeita em meus erros

Só quero mãos em minhas costas

Seu cheiro

Suas promessas erradas

Que seja assim…

Vou me perder mais um pouco… pois já cancei de me achar…

Sabe aqueles sentimentos que você guarda por muito tempo na esperança que desapareçam?

No fundo, você sabe que não deveria esconde-los

Mas é mais fácil assim

E o medo de arriscar um erro é menor do a esperança de que você se adapte à “vida como ela é”

Pois bem… fique atento, mais dia menos dias você puxa o próprio tapete

Seria caguete?

Pior do que questionar cada ato ou decisão, é não ter a chance de o fazer

Parece batido dizer que a vida muda após o encontro com a morte, mas mais uma vez só mostra o quão pouco controle temos

Continuo com medo

Principalmente medo de continuar acomodada

E de saber que daqui a 1 segundo posso morrer

Deitada na maca do hospital vi que pouca coisa valeu a pena

Que tenho me arrastado pelos dias, fatos, escolhas

Apenas aguardando a fada-madrinha ler meus pensamentos… assim como fazia no ápice da minha depressão

Só repetia “eu não quero morrer”

E mais do que isso

Eu quero viver

Viver em abundância

Viver com qualidade

Viver feliz

Viver sem stress

Só que ainda não descobri como fazer isso

Sinceramente

Necessito de uma reviravolta bem planejada

Um mergulho de autoconhecimento talvez nunca realizado

Não sei por onde começar…

Como realmente sou…

O que realmente quero…

Do que realmente gosto…

Quais são minhas prioridades…

Se pudesse, tomaria mais 2 comprimidos de Vallium…

Vou precisar pra continuar essa viagem… viagem sem volta… não quero ter medo da morte… porque preciso acreditar que ela está longe demais pra me pegar

Ainda procuro dentro de mim o que não consigo admitir

Sempre fui muito categórica ao afirmar que lá no fundo sempre sabemos quais são os nossos problemas

Mas cai em contradição

Deve haver aqui dentro, algo muito mais do que o óbvio

Sou sincera em dizer que sou uma pessoa melhor

Hoje tenho mais garra, mas amor próprio, mais sonhos possíveis

Mas mesmo assim, o que mais sinto é solidão

Será que este papo de cuidar do jardim para que as borboletas apareçam é furado?

Será que a crença, mesmo que oculta, em alguns preconceitos, me impedem de me libertar?

Sim, eu quero ser perfeita, por dentro e por fora

E sim, eu tenho medo de estar velha de mais para as milhares de coisas que espero sentir e realizar

Eu me limito, e isso é muito ruim

Será que nunca acreditei em mim mesma? Nas minhas capacidades?

Porque nunca me permiti ser do tamanho dos meus sonhos?

Ah… que falta de respeito…

Ser protagonista não significa viver cantando com os passarinhos ou acabar com os outros por prazer

Significa se sentir confortável na própria história e dar asas à imaginação

É complicado quando depois da tempestade já existe tanta esperança

Hoje eu chorei, chorei, chorei

Orei e disse a verdade, duas vezes

Sinceramente, ainda não encontrei o foco, nem qual estratégia utilizarei para eliminar a dor

O que vejo é que meus valores vivem em conflito, entre o que sou, o que aprendi e o que quero ser

Dá medo pensar que terei que aprender a ser meio termo

Entre o possível e o sonho

Terei que aprender a comer, estudar, trabalha, amar

Ter limites me parece algo terrível, como podar a própria personalidade

Mesmo quando essa personalidade está te matando?

Já dizia um amigo meu, meu problema é pensar demais

Mas se não penso, me arrependo

Se vou pelo impulso, acabo me destruindo

Existem outros fatos a serem analisados

Por mais que eu saiba que conhecer bem os porquês faz parte da cura, não posso deixar de querer um alívio imediato

Droga, me sinto regredindo

Negando a mim uma evolução definitiva

Do que tenho tanto medo?

O que me bloqueia?

Por que tanto drama?

Sigo cansada

Cada dia clamo por forças

Está na hora de traçar planos concretos

Por no papel o sim e o não

Genealogia da vida… o que gera o que…

Por hora… apenas não reprimirei o que está por vir…

Tem dias em que você fuma um cigarro atrás do outro

Abre a janela do carro

Canta Wonderwall

E não é por prazer

Tem dias que a saudade te remete àquele tempo em que o sofrimento era menos complexo e sem fundamento

Tem dias que vc sai de um cama e deita na outra

Se olha no espelho, mas não reage

Não liga o chuveiro

Não passa protetor solar

Não come

Apenas liga a TV e reza por coragem

Apenas sabe que será mais um dia difícil

E tenta lembrar quando foi o início do fim

Você deseja que seja junho

Deseja que seja janeiro

Deseja ser mais magra

Deseja ter escolhido outra carreira

Deseja ter nascido rica

Deseja ter coragem

Tem dias que vc sorri por fora e diz palavras doces, se controla e dá seus 200%, mas por dentro chora

Tem dias em que é melhor ficar calado

E tem dias em que vc tem que falar

E tem dias em que escuta o que precisava, mesmo que não seja o que queria

E tem dias que descobre que é  muito falha, e que não é só vc que percebe isso

Tem dias que falta incentivo, gestão, iniciativa

Tem dias que falta tempo, falta informação

Tem dias que nem chorar dá vontade

Tem dias que vc recusa a cerveja, recusa a noite, recusa 0 veneno, recusa o sexo, recusa a si mesmo

Fica apática

Não quer batata

Ri por rir

Mas mesmo assim é um riso compulsivo

Tem dias em que vc decide não vomitar

Decide que merece um pouco de paz, um pouco de respeito

Tem dias que deseja frear um pouco os sonhos, parar de tentar decifrar e planejar o futuro

Tem dias em que vc percebe que sua força de vontade é nula

É como tentar ser sempre melhor e nunca conseguir

Como ter ótimas idéias e ninguém pra ouvir

E o mais terrível é saber que amanhã será igual, semana que vem será igual, mês que vem será igual

Não saber como agir

Como tocar

Como atingir

Como ser ou não ser

É como um texto sem fim

Ontem a noite prometi a mim mesma que não maltrataria mais

Mas o dia amanheceu, e não consegui cumprir essa promessa

Durante as primeiras 6 horas me foquei nas atividades que são meu forte, enquanto tentava domar a raiva interior que insitia em crescer

Pensei que alguma doçura pudesse me ajudar a atravessar o restante do dia, mas me lembrei de outros objetivos e pus tudo pra fora… em pouco tempo o vazio estava lá novamente

Amarga, esse é meu gosto

Voltei pra casa ouvindo Engenheiros, tentando encontrar alguma mensagem de incentivo… por poucos segundos todo o peso do mundo desapareceu

E então, me divertindo com a possibilidade de mais um enxurrada de carboidratos em minhas veias, lembrei de toda tristeza que sua imagem/som/cor me traz

Me lembrei que não quero mais me sentir assim, e que ninguém deveria se permitir isso

Me lembrei que sua boca me disse que eu não prestava pra nada, só que mesmo sabendo que não é verdade… isso ficou… talvez seja por isso que hoje eu sou tão fraca e não consigo conquistar coisas que julgo essenciais

Esses dias em casa me fizeram muito mal, estar próxima à sua aura malígna me faz mal e a única coisa em que penso é ir embora, mesmo sem ter pra onde

Odeio sua hipocrisia e suas cenas de criança mimanda, e maneira como você dividi nossa família, odeio seu orgulho e seu isolamento

Por pouco não arrumei uma mala e parti, aguardava apenas sua próxima palavra rude

Não consigo te entender, nem te perdoar

Mas meu coração parte pelas pessoas que ficarão, a culpa não é delas, mas não sei como não puni-las por decisões que fui eu que tomei

A palavra não veio, então me distrai com uma história que prometia ser totalmente boba, mas que me fez chorar

Gostaria de saber em qual fase da minha vida parei de amadurecer e passai apenas a envelhecer

Hoje não sei dizer qual dor é pior, em que ponto a confusão era mais intensa, nem como sair disso

Odeio me sentir sufocada dessa maneira

Odeio sentir que voltei ao início da jornada

Odeio não enxergar uma saida

Odeio me sentir sozinha

Odeio não beber no sábado a noite

Odeio querer me entorpecer com n comprimidos

Então eu sentei no chão, sozinha no banheiro, e chorei ainda mais

Odeio quando a autopiedade me atinge

Odeio todas as dificuldades da vida

Odeio ter que acordar cedo amanhã e ir pra um lugar que não me dá mais prazer, um trabalho que é em vão, mas que é a única coisa que me deixa mais próxima dos meus sonhos

Estou exausta, mas não me permito dormir, talvez por medo que o amanhã seja ainda pior, que eu acorde durante a madrugada e o sono me faça bater o carro

Estou dramática e ridiculamente irritante

E não tenho esperanças

Não consigo ter compaixão pelo que me faz mal

Não consigo ter paciência

Não consigo respirar

Seria mais fácil fumar 1 maço de cigarro

Essa raiva e essa frustração não param de crescer

Não tenho forças

Mas não deixo de resistir

E as lágrimas amargas se escondem por trás dos meus olhos

Não caem e não me deixam em paz

Esse aperto no peito

Essa barriga inchada

Essa falsa delicadeza

Essa solidão

Sem uma boca

Sem um beijo

Sem um suor

Sem uma briga

Seca por dentro

Sem sacanagem

Sem desabafo

Nada entra, nada sai

Jejum de alma

Cheia, vazia

Preciso de um plano, um destino certo

Em tal dia tal coisa

Segunda verdura

Terça corrida

Quarta swing

Quinta religião

Sexta happy-hour

Sábado meditação

Domingo… descanso por favor

Vou lá… tentar ser feliz e já volto

É engraçado… a gente pede pro tempo passar… e quando passa fica com essa cara de tacho, sem acreditar no que vê

Estou num daqueles momentos que sempre amei

Passado

Hoje clamo por pseudo-segurança

Figurativos limites

Aquela brincadeira com fim certo

O tempo passa

E com o tempo você aprende que “o pra sempre sempre acaba”

Aprende que não ter limites requer mais responsabilidade do que aprontar e ser castigado

Toma decisões pelo bom senso

Prova seu valor

Mesmo que o saldo seja negativo e o suor em vão

Passa a acreditar no peso das palavras, como consequência inevitável de um destino verbal

Cultiva a alma, cultiva o corpo, cultiva as amizades, o trabalho, o amor

Descobre que ainda há muito a ver e a fazer… mas que só o agora existe

Sente medo

Da solidão, do barulho do carro, do cheiro impregnado de cigarro, da lavanda, dos novos pneus, do mau humor matutino, da imaturidade, do terremoto no Haiti, do fim do mundo, de não ir pro céu

Nem tudo pode ser concertado

Cedo ou tarde o mundo de engole

Medo de entrar em pânico

Medo de nunca mais me sentir daquela maneira

A louça suja na pia, a goteira no quarto, cama de gato na sala, salada na geladeira

O seu dia, dia de tantos

Senter saudades do que jurou não sentir

Deitada na cama vazia a chuva cai

Abafo tudo na esperança que os pesadelos não venham e o dia de amanhã amanheça

Deixo aqui um pedaço de mim. A parte da minha alma que já não posso suportar. Alguns anseios, alguns medos, algumas vergonhas. Utilizo minha sinceridade e nada mais. Não sou mais uma, mas estou perdida na cidade. Às vezes saio de carro, corro e canto. Às vezes me perco na noite, e nada mais sou do que inominável. Continuarei até que eu me permita sentir algo. Quando sentir for mais que uma dor. Quando a dor não se transformar em prazer. Quando...

Leituras

- A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kunder - Eclipse - Stephenie Meyer

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