É engraçado… a gente pede pro tempo passar… e quando passa fica com essa cara de tacho, sem acreditar no que vê
Estou num daqueles momentos que sempre amei
Passado
Hoje clamo por pseudo-segurança
Figurativos limites
Aquela brincadeira com fim certo
O tempo passa
E com o tempo você aprende que “o pra sempre sempre acaba”
Aprende que não ter limites requer mais responsabilidade do que aprontar e ser castigado
Toma decisões pelo bom senso
Prova seu valor
Mesmo que o saldo seja negativo e o suor em vão
Passa a acreditar no peso das palavras, como consequência inevitável de um destino verbal
Cultiva a alma, cultiva o corpo, cultiva as amizades, o trabalho, o amor
Descobre que ainda há muito a ver e a fazer… mas que só o agora existe
Sente medo
Da solidão, do barulho do carro, do cheiro impregnado de cigarro, da lavanda, dos novos pneus, do mau humor matutino, da imaturidade, do terremoto no Haiti, do fim do mundo, de não ir pro céu
Nem tudo pode ser concertado
Cedo ou tarde o mundo de engole
Medo de entrar em pânico
Medo de nunca mais me sentir daquela maneira
A louça suja na pia, a goteira no quarto, cama de gato na sala, salada na geladeira
O seu dia, dia de tantos
Senter saudades do que jurou não sentir
Deitada na cama vazia a chuva cai
Abafo tudo na esperança que os pesadelos não venham e o dia de amanhã amanheça