Ontem terminei o livro “Como era Verde meu Vale” do escrior Richard Llewellyn. Um livro que falou bastante comigo, e que, de certa forma, me fez relembrar algumas coisas do meu passado. Imagens que eu já havia esquecido, de momentos simples em lugares simples, situações que amei mais do que podia imaginar.

Voltando à infância, uma das lembrança que mais gosto são as tardes em que deitava no carpete do meu quarto, bem onde batia o Sol, e adormecia aquecida. Uma das sensações que amo até hoje, particulas de ar aquecido acariciando o corpo. Tanto que muitas das minhas fantasias envolvem camas banhadas pelo Sol, tardes intermináveis com as pernas pro ar, piadas, a barba dele no meu pescoço…

Mas a lembrança que me veio ao ler o livro foi de outro Sol.

Retornei ao tempo da minha primeira faculdade, tempo em que ser jornalista parecia o mais correto para alguém que ama escrever (mal eu sabia que é necessário muito mais que isso para seguir carreira). Lembro como se fosse hoje, a pracinha em frente ao Delta, bancos de madeira, árvores, grama… e o Sol. Naquele junho eu não estava mais apaixonada, e me aventurei por muitas bocas e bares. Naquele junho passei muitas horas no laboratório de fotografia, escuro e úmido (como deve ser). E de todas as sensações, nos dias de frio e Sol é que eu me sentia mais feliz. As amizades pareciam ser eternas e nossa maior diversão era beber em volta da mesa de bilhar. Um tempo em que as preocupações era mínimas e a vida era intensa, como sempre deveria ser.

Atualmente trabalho no subsolo (2º Subsolo) e dificilmente vejo o Sol durante o dia, mas ontem fui agraciada com a visão e a invasão dos raios por entre as persianas do departamento ao lado do meu. O Sol entrava pela janela do corredor e iluminava uma jaqueta laranja que repousava na cadeira, e o laranja, retribuindo o agrado, refletiu a luz na parede, formando uma mistura de tons e calor. Imagem linda de se contemplar.

O inverno ainda é minha estação preferida… por isso me surpreendi com a descoberta das sensações que o Sol me traz. E talvez, o mais incrível disso tudo seja o espetáculo de sua despedida, pintando o céu de tantas cores quanto se pode imaginar. E eu amo o pôr-do-Sol, e a paz e a esperança que vêm junto dele. Não é de menos que nos últimos meses aproveitei os fins de semana livres para criar o hábito de ir até o parque assistir sua despedida.

Sentirei falta do “Como era Verde meu Vale”… que ainda reserva muitas histórias pra relembrar…