Hoje me dei conta que cheguei a um pouco que nunca pensei ser possível. No bom sentido.

De manhã, enquanto assistia o noticiário e conferia o trânsito da Imigrantes, lembrei da tragédia da segunda-feira, quando um caminhão com a caçamba levantada arrancou uma passarela, causando a morte de um executivo japonês cujo carro bateu nos escombros que invadiram a pista. Durante esta semana passei neste lugar todos os dias, portanto, poderia ser eu a acidentada.

Me questionei: se após o acidente soubesse que iria morrer, quais seriam minhas últimas palavras? Me vi puxando o paramédico pra perto de mim e sussurrando: “Diga a minha mãe que a amo. E ao Marcelo que o amo também”. Então uma tristeza gigante me invadiu e uma lágrima rolou. Eu não quero morrer, não mais, nunca mais.

Houve um tempo em que a depressão era minha melhor amiga, ou melhor, a dor. Pra mim, morrer seria lucro e algumas vezes cri tanto nisso que tentei morrer. Começou quando tinha 12 anos, crise aos 15, crise aos 17, crise aos 21… achei que teria aos 23, mas parece que finalmente ela resolver ceder e me deixar um pouco em paz.

Hoje estou vestindo o suéter do meu avô, e é dele que eu sinto mais falta. Quando ele morreu achei que não ia suportar nem mais um dia, e aqui estou. Eu era mais alta que ele, mas mesmo assim as mangas do suéter ficam compridas. E eu me lembro, dos olhos azuis, da voz rouca, dos tufinhos de pêlos nos ombros e de passear de carro na praia.

Eu não quero mais morrer. Mas isso não significa que não fique triste de vez enquando. E é obvio que estou melancólica. Provavelmente é TPM, por isso não estou dando bola pra este sentimento. E estou com tanto sono que está difícil até pensar. Queria estar com ele…