“Linton parecia esquecido do que ela falava e mostrava manifestamente muita dificuldade em sustentar uma conversação qualquer. Sua falta de interesse pelos assuntos que ela abordava, como sua incapacidade em contribuir para distraí-la, eram tão evidentes que ela não pôde dissimular seu desaponto. A pessoa inteira de seu primo e as suas maneiras tinham sofrido uma transformação indefinível. O aborrecimento, que as carícias conseguiam transformar em ternura, dera lugar a uma apatia displicente. O humor contrariante da criança, que se irrita e se torna insuportável para se fazer acarinhar, mudara-se na morosidade egoísta dum inválido inveterado, rejeitando as consolações e pronto a olhar como um insulto o bom humor e a alegria dos outros.


- Já é tarde! – disse ele com voz entrecortada e arrastada. – Seu pai está pior? Pensei que não viesse mais.

- Por que não ser franco? – perguntou Catarina, retendo os cumprimentos que ia dar. – Por que não dizer de uma vez que não tem necessidade de mim? É estranho Linton, que pela segunda vez você me faça vir aqui na intenção, aparentemente, de afligir-nos a nós ambos, e sem nenhum outro motivo.

Linton estremesseu e lançou um olhar meio suplicante, meio envergonhado. Mas sua prima não tinha paciência suficiente para suportar aquele modo enigmático de proceder.

- Meu pai está muito doente – disse ela. – E por que tive de deixar a sua cabeceira? Por que não me mandou você um recado, desligando-me de minha promessa, já que desejava você que eu não a mantivesse? Vamos! Desejo uma explicação. O brinquedo e a frivolidade estão completamente banidos de meu pensamento e não tenho tempo a perder hoje com suas simulações.

- Minhas simulações! – murmurou ele. – Quais são elas? Pelo amor de Deus, Catarina, não se mostre tão zangada! Despreze-me quanto quiser. Sou uma criança indigna, um miserável, um covarde. Mereço todos os desprezos. Mas sou demasiado vil para merecer sua cólera. Odeie a meu pai e, quanto a mim, contente-se com desprezar-me.”

O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

Aos poucos vou percebendo que não fui só eu que mudei. E é triste ver que algumas dessas mudanças não foram exatamente para o bem. Nos tornamos mais egoístas, contruimos muros pra nos proteger e temos treinado disparar a “metralhadora cheia de mágoas”. Reação à vida? Provavelmente. Mas dói ver atos que eu amava cessarem sem explicação.

Minhas necessidade ainda são as mesmas, meus desejos também e não vou reprimir minhas vontades por medo de arriscar o que eu já não tenho. Só gostaria de entender em qual parte do processo, o amor, o carinho e a atenção deixaram de ser importantes. Coisas boas devem ser cultivadas sempre e que quero minha porção todos os dias.

As histórias do início não estão apagadas na minha memória, muito do que foi dito ainda pulsa em mim e, de certa forma, é o que busco a cada dia. Mas como buscar algo que deve ser espontâneo? É fato que não vou obrigar ninguém a nada, mas também não posso me obrigar a conter minhas reações a isso.

No momento isto não é algo que me faça mal de fato, é quaser uma saudade de uma época que já foi. Mas tenho que confessar que temo um pouco o futuro, e ao mesmo tempo, acredito que o futuro será muito bom… e ao mesmo tempo tenho medo de estar me enganando… e ao mesmo tempo não quero confusão…

Ação e reação, não é mesmo?