“Então de repente, compreendeu com espanto que não estava infeliz. A presença física de Sabina contava muito menos do que ele pensava. O que contava era o traço dourado, o traço mágico que ela havia imprimido em sua vida e de que ninguém poderia privá-lo. Antes de desaparecer de seu horizonte, ela tivera tempo de lhe pôr nas mãos a vassoura de Hércules, com a qual ele varrera de sua vida tudo aquilo que não gostava. Essa felicidade inesperada, esse bem-estar, essa alegria que lhe proporcionava a liberdade e a nova vida, tudo isso era um presente que ela havia lhe deixado.
(…)
Lamentou ter sido impaciente. Se tivessem ficado juntos mais tempo, talvez pouco a pouco tivessem começado a compreender as palavras que pronunciavam. Seus vocabulários teriam se aproximado pudica e lentamente, como amantes muito tímidos, e a música de um começaria a se fundir na música do outro. Mas é tarde demais.”
Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
Uso essas palavras para explicar minhas reações inesperadas. Pensei que estar sem a presença dele seria meu fim. Imaginei lágrimas e dor. Eu não me compreendi, não compreendi muitas coisas, principalmente porque estar junto a ele era tão pesado pra mim.
Era isso o que eu queria falar no post abaixo. O fato de poder chamá-lo de namorado, trazia dezenas de responsabilidades, mais para ele do que para mim. E quando não pude mais, percebi que o amor era o mesmo, mas que não podia mais desejar que ele desempenhasse um papel que não era dele. Me vi livre do que me diziam ser certo, e só então passei a viver a verdadeira espera do amor. Espera que não cobra, mas compreende. Não é ilusão, porque a vida continua de fato. É um sentimento atemporal, que estará lá independente do futuro.
Só então notei que meu amor por ele é incondicional.
Isso não significa que me permitirei ser machucada. Não significa que não voltarei a amar. Diferente do amor romântico, é um amor grato, apenas pela existência, aprendizado e libertação. Significa que o tempo já não pode ser contado, pois é algo que não aumenta ou diminui com o passar dos anos.
As vezes a saudade bate, mas acaba sempre importando mais a lembraça das coisas boas que vivemos.
Obrigada por ter me tirado da depressão, por ter insistido em jogar na minha cara que minha condição é superior a de muita gente. Obrigada por compartilhar comigo a simplicidade da vida e dos momentos a dois. Obrigada por não ter julgado meu desejo incontrolável e sim se esforçado para me satisfazer. Obrigada pela oportunidade de sonhar, você me libertou da mediocridade da vida cotidiana.
Você mudou a minha vida e ela estará pra sempre impregnada de você.
Te amo… incondicionalmente

4 comments
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Setembro 2, 2008 às 12:08 am
Thanatos
coisa linda isso…
ainda não lí quase nada do livro, mas lembro da parte do peso e da leveza…
pensando claramente, eu prefiro a leveza, mas ainda tenho amarras demais no lado pesado das coisas. E o inverso em muitas outras coisas da vida que não os relacionamentos…
engraçado como a vida é multi-facetada, as próprias opiniões divergentes…
me vi muito nesse teu post…
admirei o que vc escreveu…
Setembro 2, 2008 às 4:31 pm
♥ Lyani
que post mais lindo!
É tão bom quando nos encontramos nas palavras de um livro, e ele nos ajuda a compreender melhor os nossos sentimentos.
Fiquei emocionada ao ler, emocionada com a maturidade de suas palavras e desse amor lindo que está sentindo.
Parabéns
Bjos
Setembro 2, 2008 às 11:48 pm
♥ Lyani
Tem presente de novo pra vc no meu blog!!! =D
Bjos
Setembro 4, 2008 às 9:35 pm
juliana keibel
a verdadeira felicidade do amor, está em amar e não em ser amado.
felicidades.